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Tenha boas referências, compare-se consigo mesmo e melhore continuamente.

O título é o próprio resumo do post. Quero contar um pouco sobre alguns problemas, soluções e minha percepção quanto a evolução e melhoria.

Eu sempre fui rato de cursos online (tenho até plano vitalício na Origamid, por exemplo) e me dou bem com esse formato de ensino. Porém, por muitas vezes eu ficava apenas no escopo das aulas e não aplicava o conteúdo em algum projeto da vida real. Ou seja, eu acreditava — mesmo que inconscientemente — que eu precisava finalizar os cursos para estar preparado para iniciar um projeto.

Resolvi, então, mudar isso e começar a focar mais na prática do que apenas nos cursos. Isso me exigiu uma mudança de status/postura, mas já vou adiantar que, pelo menos para mim, essa foi a melhor forma de evoluir nos estudos e indico fortemente a você testar.

Nos últimos meses realizei 3 projetos diferentes, são eles: Site da Psicóloga Vanessa Mattos (aka minha noiva ❤*)️*, App Remote HeartCount para o meu time e meu site pessoal. O interessante é que nos três projetos eu me deparei com dificuldades que eu praticamente travava e não conseguia sair do lugar. E essa eu considero principal diferença entre aprender apenas pelos cursos e aprender na prática: capacidade de se virar (que gosto de chamar de sevirômetro). Aprendendo na prática você vai ter que exercer essa skill o tempo todo e vale deixar o lembrete que no dia a dia profissional você também terá que exercer isso sempre, então é bom se preparar.

Vou listar aqui algumas problemas que enfrentei e me fizeram sentir travado durante esses projetos:

  • Como construo um menu hambúrguer bacana e funcional para aparecer quando o usuário estiver no celular?
  • Como e com qual ferramenta construo o banco para salvar os dados?
  • Para o meu site pessoal, ao visualizar a lib desejada minha mente falou: "o que está acontecendo aqui?!?!?!?"

Você pode ver que foram coisas bem diferentes uma das outras. Vou falar então, como resolvi eles e o que as referências tem a ver com isso:

Para o problema do menu hambúrguer, me recordei de um dos projetos do curso de Javascript da Origamid que em certo momento nós iriamos criar isso. Eu ainda não tinha chegado nessa aula específica (porque no meio do curso eu resolvi mudar a forma de estudos, lembra?) mas sabia que isso seria feito durante as aulas. Pulei então direto para a parte que iríamos construir esse menu, me referenciei nele, adaptei ao contexto e voilà!Problema resolvido.

Já no Remote HeartCount, por focar mais no frontend, eu estava/estou bastante enferrujado em assuntos como banco de dados e SQL. Porém, durante a Semana OmniStack 11.0 da Rocketseat, construímos uma ferramenta que no fundo se assemelhava muito com o que eu queria construir. Então tomei como referência o que construímos, adaptei ao contexto e voilà novamente! Problema resolvido.

E por último, para mim o mais engraçado, foi meu site pessoal. Eu resolvi construir ele usando a lib React95. Porém, ao abrir o projeto eu mal entendia o que estava acontecendo (até tweetei isso e recebi uma ajuda incrível do Bruno Nardini que me presenteou com um baita curso de React dele e que recomendo muito). Nesse meio tempo, eu conheci o projeto 95 Recipes que ajudou a entender melhor como aplicar essa lib. Ainda assim era um projeto com objetivos diferentes do meu, mas eu já poderia me referenciar nele para resolver meu problema.

O projeto era incrível, mas ao analisar o código não conseguia entender os detalhes e isso me frustrou muito. Eu até pensei em desistir da ideia e fazer algo diferente, talvez mais simples e mais comum, mas toda vez que eu olhava para o projeto era como se os olhos brilhassem. Decidi então analisar cada detalhe dele e entender como as coisas estavam implementadas antes de colocar a mão na massa. Para mim, isso já foi um grande exercício de gerenciamento de ansiedade de querer ver as coisas prontas logo. Depois que consegui finalizar essa análise e entender como as coisas estavam funcionando, comecei a alterar, adaptar ao meu contexto e voilá! Mais um problema resolvido.

Agora, repare que em todas situações eu precisei buscar uma referência para resolver o problema que eu tinha. Rapidamente aqui eu vejo três pontos positivos: 1) aprender com quem sabe/já resolveu; 2) produtividade por aproveitar recursos semelhantes e 3) a aplicação da teoria dos cursos na prática. Ou seja, quando você tem boas referências o caminho da solução pode ser um tanto mais curto.

"Beleza, resolvi o problema, mas eu evoluí mesmo?"

Não foram poucas as vezes que eu me peguei pensando nisso. E agora entra um ponto que mudou muito a forma de evidenciar para mim mesmo essa evolução. Eu passei a comparar o eu de agora com o eu de algum tempo atrás. Sim, você pode ser sua própria comparação. Repare que quando eu tive a ideia de criar o meu site eu não entendia nada do que estava acontecendo e hoje ele está lá bonitinho no ar. Logo, eu consegui sair do ponto A (que era algo como: "Socorro! Não entendo nada!")para o ponto B ("Projeto finalizado!") e isso serve para mim como evidência de evolução.

Um mulher ao lado direito apontando para um pequeno trajeto de 5 pontos.

E o que eu acho mais legal nisso é que posso aplicar essa mesma lógica para outras situações. Vamos supor que você esteja aprendendo a fazer bolo. Você até tentou algumas vezes, mas em todas elas deixou passar do ponto, ou não colocou ingrediente suficiente, ou não ficou com o sabor que gostaria. No meio dessas frustrações você não consegue enxergar a sua evolução, na sua mente você só está errando. Mas quando você realmente conseguir fazer o bolo (sem queimar e que as pessoas queiram comer) você olha para trás e vê que agora aprendeu a fazer isso. Novamente, vamos para a lógica da evolução: você saiu do ponto A ("Meu Deus, queimei o bolo novamente!") para o ponto B ("Eu sou quase um MasterChef!"). E assim você responde a pergunta inicial dessa seção com um "Sim!" bem grande :)

"Legal, eu realmente evoluí, então cheguei no topo?"

Acredito que em tudo (até nas coisas simples) nós podemos melhorar ao longo do tempo. Eu prefiro olhar esse "topo" como algo que está constantemente subindo a barra e me forçando a melhorar continuamente. Já diria Skillet na música Legendary: "Top, to the top, ain’t never gonna stop!".

E falando de melhoria continua, um exemplo que eu acho muito bacana é o pit stop de Formula 1. Eu não sou nenhum fã assíduo do esporte, mas quando acompanho, uma das coisas que me deixa impressionado é a velocidade que eles trocam os quatro pneus do carro e reabastecem o veículo em pouquíssimos segundos. Para ter uma ideia, o recorde de pit stop mais rápido da história (que pertence a RBR) tem o tempo de 1.82 segundos! Isso é insano!

Porém, lá pelos anos 50, esse número estava na casa de mais de 1 minuto para realizar os mesmos procedimentos. Lógico que as práticas, ferramentas e tecnologias não eram as mesmas que as de hoje, e é exatamente essa a grande diferença. Com o tempo, eles melhoraram continuamente e conseguiram atingir esse resultado de 1.82 segundos. E sabe o que deixa isso ainda mais evidente?! O recorde anterior de pit stop mais rápido já pertencia a RBR, ou seja, ela baixou o seu próprio tempo!!! 🤯

Mas, não esqueça:

Feito é melhor que perfeito.

No mesmo exemplo do pit stop, eles não ficaram apenas no laboratório estudando até chegar no número do recorde. Eles resolveram o problema (trocar os pneus e reabastecer o veículo), mesmo que com um tempo maior, e melhoraram essa solução com o passar dos anos.

Talvez você não se orgulhe do seu primeiro, segundo ou terceiro bolo. Mas se ele está saboroso e saciando a fome, você já resolveu o problema. A partir disso pode começar a pensar em outras coisas para trazer novas experiências (como uma decoração, cobertura, e por aí vai…).

Ou seja, resolva o problema e depois melhore a solução.

Por fim, quero deixar uma indicação do documentário Jiro — Dreams of Sushi sobre o chef de sushi Jiro Ono, de 85 anos, cujo restaurante de apenas 10 lugares e pratos de US$ 300 se tornou lendário em Tóquio. Acredito que ele seja uma ótima referência quanto a melhoria contínua.

Bom, eu não tenho muita pretensão que esse post faça você mudar completamente suas referências, forma de estudos, evolução ou algo do tipo, mas já fico muito grato que tenha lido até aqui :)

Até a próxima!

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